domingo, 18 de janeiro de 2009

Eu sou cedo

Eu sou cedo.
E quase que choro.

Ora tenho de sair, porque já é tarde!
E tarde é a minha hora, cedo que sou.

Mas porquê quase que choro,
Se d’antes desdenhava?

(Ninguém se lembra! Ninguém se lembra?
Só eu.)

[Por vezes sinto-me contente. E
Levito nesta paz. Mas acordo sobressaltado
Pouco a pouco. Porque é que não me deixo dormir? Deixem-me dormir.]

(Será que foi grave? Ou foi problema, sequer?
Fui eu? Foi quem? ‘Raízes malditas, ambas as deles’
Por favor,
Que não seja nada)

E quase que choro?
Não quero ser cedo nem tarde.
Quero ser como todos, e se for o caso,
Não me lembrar.
(sei que não serei assim, apesar de almejar, por vezes.)
Mas, bolas, tu que escreveste contra reis porque gostas.
Tu, que, ‘o que interessa é gostar’, não é o que dizes sempre?
(só quero não lembrar porque entristece, por vezes)
Tu, João da Ega.
(nada vou concluir decerto – mas procuro ajuda, aqui falando comigo, cada um dizendo de si, por mim)
Tu João da Ega.

jo james

A primeira e a outra

Uma é a primeira, outra
É a outra. Não
Percebo esta.
Gosta da primeira.

Ou
Deve ser só eu.
Mas é gostar e ficar triste.
Tirem-me a outra.
Deêm-me a primeira.

Como é que é possível?
Estou tão verde. Mas deixem-me dormir agora.
Estou nervoso. E...

jo james

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Menino mimado

É só pensar, tu!
Não paras de pensar,
Nem paras p’ra pensar
Que podes não pensar
Nisso .

Isso?
Nem penses, tu, sequer
Nisso.
Acabaram-se os ‘pensares’
Não sei que faça,
Pá, nem sei o que posso
Contra tal ameaça
Quase real já!

Que magoa, que doi!
Que incomoda,
Que é, mesmo, desconfortável.
Que degrada,
E que faz querer desaparecer.
Quero desaparecer.

O que aqui está, nem por sombras,
Se assemelha, ao que é.
E penso também, talvez
Para poder saber como explicar.
Que ainda não consigo.

E guardo-o para mim.
E quero desaparecer.

jo james