segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Os conformismos e as canções de Natal

Os conformismos
E as canções de Natal.
As prendas, os desejos,
Toda uma panóplia
De coisas que se dizem,
Que se pensam, que se compram.

Presentes envenenados.

Ninguém vê?
É só de mim, isto?

Acaba a poesia. Isto não pode ser introduzido, ou explicado, em poesia.

Não percebo, onde é que está o Natal? Emigrou? Foi para a América, com o Obama?
Onde está? Que é feito do Natal? Que é feito daquilo que o Natal, a mim, faz sentir?
Hoje, é comum dizer-se 'espírito natalício'. Mas é uma treta. Cada um gosta da maneira que gostar, do Natal.
Toda a gente deveria fazer o que gosta, afinal, se nós estamos bem fazendo o que gostamos…
Mas o problema é este clima de aparências, de enganos, esta água turva que nos aparece e não nos deixa chegar ao intrínseco do Natal. Que não nos deixa sugar o tutano de [cada Natal]. Que faz com que nos rejamos pelo recente consumismo (mas nem falo disso, está visto – toda a gente é contra – no entanto a cada 24 de Dezembro que passa, mais presos ficamos, mais enganados e seduzidos e nos conformamos e esquecemos o Natal)
Não me quero conformar! Conformo-me invariavelmente. Por isso não me quero conformar. Apesar de saber que me vou conformar… mas não tem de ser assim, ainda posso rasgar este papel cada vez mais grosso.
Gritar, apetece! Não sei se valerá a pena. Não interessa, se isso for sair do conformismo, grito.
O Natal, tornou-se banal – é com esta banalíssima rima, que melhor se define o Natal, o Natal!
Reconheço, porém, que nem sei bem, o que há a fazer para mudar. Pois, talvez seja isso. Não há o ‘temos de fazer isso, e isso, e isso’. É cada um a fazer o que mais gosta (sem por em causa a liberdade dos outros – claro, mas isso, é em tudo, nem sei por que abro esse parênteses(?)).
E então que tal esquecer as preocupações com as coisas pequenas que encheram o que realmente interessa sempre, e agora, e fizeram sair cá para fora, não sei para onde, aquilo que é realmente importante?
Quero correr, dia 24 de Dezembro, noite de consoada, e quero correr por estas ruas, e dizer a cada um que conheço, que é meu amigo. Desejar um 'tudo de bom', mas realmente estar lá e fazer com que isso aconteça, começando por um pequeno sorriso, um bem-estar. Quero dizer que gosto, a todos os que gosto. E que gosto muito, a todos os que gosto muito. E estar bem, estar a rir, sentindo-me contente – finalmente, saíste, conformismo, finalmente, vale a pena. Finalmente posso gostar deste natal, e apenas porque posso dizer que gosto, e demonstrar. Sem me preocupar com qualquer presente. Nem com os presentes, e os desejos, que são as frases feitas, e que já têm todos os sentidos, de serem ditas com tanta displicência, sem serem realmente acreditadas. Esquecer o que dizem, ou pensam, os conformados. Não pensar neles, ou ajuda-los.
Fazer por que nós nos estejamos a sentir bem. E isso é que interessa.
E sim, após tudo isto, porque não olhar para a cara, para os olhos da pessoa a quem demos o nosso melhor presente, e assim, ficar contente. Sorrindo ou não. Mas, principalmente, com o conformismo derrotado. E gostando, gostando de estar ali, com quem demos o presente. Gostando de estar ali, talvez só (mas aí, então, sorrindo – pensando naquela imagem que continua sempre, porque o nosso melhor presente nunca se esquece (e a todos devemos dar os nossos melhores presentes) Ora claro, há sempre alguém, a quem damos o nosso melhor de maneira diferente. Comigo é assim, não se preocupem.)
Ora, e então agora, e visto que já corri muito, e já gritei. E já disse a todos que gostava, estando mesmo lá. Creio que posso, porque também gosto, ter então a minha ceia de Natal.
… E já me ia esquecendo, gostando também deste Natal, em que realmente, o praticamos, e verdadeiramente o sentimos.

Voltando à poesia:
Canções de Natal
Adoro, são tão bonitas
Porém, talvez só tenham sentido
Quando gritamos, e corremos.
E damos o nosso melhor presente.
E gostamos.