sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Diz-me Reis

Diz-me Reis

É para não te magoares?
Com que então não te magoas?
Isso é verdade!? Mas tu vives em que ares?
Hem? Diz-me. Agora vais ouvir das boas.

E forte ouvirás, só não mais
Porque Pessoa e todos heterónimos
De mim, devoto respeito merecem.

Primeiro
Não tens direito, moral, nada
(ataraxico de merda)
Para ser o que quer que seja.
Para transtornar seja o que for.
Para, em todos os jardins,
Plantares, e fazeres deflagrar
A tua rosa maldita. E logo rosa,
Logo rosa.

Se te queres conter, contem-te.
Contendo-te, não escrevas.
Sei qual o teu mal,
Nunca gostaste de ninguém.
Diz-me, diz-me, o que veio antes?
A ataraxia, ou um amor falhado?
(não dizes nada)

Carpe diem?
Água com sabor e cheiro não é água.
Aproveitar a vida sem poder dar a mão
Não é aproveitar a vida,
Muito menos é Carpe diem

Epicuro?
Sabes do que me lembro,
Quando penso em epicurismo?
Orgasmo – poderá ser só um bolo…
Desculpa, para ti, nunca pode
Ser mesmo mais do que um bolo (uma fatia)

Tenho pena de não teres sido real
Para que te pudesse dar um tiro.

Eu gosto.
Eu gosto de gostar.
Não podes aparecer
E dizer-me que largue a mão

Desculpa ter tornado isto pessoal.
Tinha de ser, tinhas de saber (sim, sou justo)
Porque não gosto de ti.

Tão justo que sou,
Até tenho espaço para um elogio –
A tua escrita – eu não desgosto.
A tua filosofia e objectivos?
(arruma-os, no saco onde metes a cabeça para mão veres uma mulher bonita)

Nem percebo essa incoerência,
Não queres sofrer
E tudo o que escreves são cartas,
Umas mais outras menos formais,
A convidar o leitor ao sofrimento.
O pior a que se pode chegar,
Não é ao ódio,
É à indiferença

Mas aqui o mestre reis sabe como é,
Diz-me, não te magoas?
Mentes, sofres tanto por seres assim
Que escreves tudo ao contrário.
Nunca terás um prazer,
Tu epicurista, nunca.

E o que aqui lês,
Tu, seu epicurista.
É com efeito da minha moleza.
À ideia veio-me muito mais,
Ao papel chega o que aqui vês
Apenas.

O meu mais sincero pedido de desculpas a Fernando Pessoa, a quem estimo muito. Admiro ter criado alguém assim.
Com certeza que a minha pequenez é que não entende e me consome.
Apenas não pude deixar de demonstrar a minha indignação pelo que Ricardo reis, seu brilhante heterónimo, defende.

Bem-haja estimado poeta, o meu muito obrigado porque assim escrevi. Mais uma vez aqui ficam as minhas mais sinceras desculpas.

Com os melhores cumprimentos

João Sousa

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Mas se eu não me lembrasse,
Haveria voltar e não voltar?
Se eu não pusesse a hipótese?
Se eu não gostasse?
Haveria voltar e não voltar?

Há, porque quero,
Ou que volte,
Ou que não volte.

Gosto. E quero que volte
Por isso, há não voltar.
Há o triste. O contente
E a partir daqui o infinito.

(incompleto no início)